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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

30
Mar20

Gosto de café.

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Gosto de café. Gosto que nos levem refeições e gelado. Gosto de chegar a casa e tomar banho para me tentar despir de algum SARS-CoV-2 teimoso. Gosto de cremes múltiplos e variados que me acalmem a pele desgraçada de tanta desinfecção. Gosto de me deitar numa cama. Gosto de ter cama. Gosto das ligações humanas estabelecidas por uma coisa terrível. É mau. Mas pode haver bom.
(As minhas notificações vão ficar off para que a vida fique on.)

 

A 22/Março, depois de um turno, desliguei as notificações a bem da sanidade mental.

24
Mar20

Entre uma voz conhecida e uma serena...

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Entre uma voz conhecida e uma serena, reencontrei a minha.

Andei perdida até decidir refazer os passos da minha calma e voltar ao Estoicismo. Saber a diferença entre o que se pode ou não controlar. 

  • Meditação
  • Filosofia
  • Gratidão

As previsões catastróficas deixo-as de parte. Não controlo o resultado. Controlo ficar em casa.

 

"I may wish to be free from torture, but if the time comes for me to endure it, I'll wish to bear it courageously with bravery and honor. Wouldn't I prefer not to fall into war? But if war does befall me, I'll wish to carry nobly the wounds, starvation, and other necessities of war. Neither am I so crazy as to desire illness, but if I must suffer illness, I'll wish to do nothing rash or dishonorable. The point is not to wish for these adversities, but for the virtue that makes adversities bearable.”

Seneca, Moral Letters, 67.4

 

 

04
Mar20

Há várias situações ansiogénicas na vida.

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Há várias situações ansiogénicas na vida. Há ainda mais situações ansiogénicas na vida de quem sofre de ansiedade.

O minimalismo permitiu-me interromper o ciclo da exaustão, da imagem literal de burn out na vela que se apaga por ter esgotado o pavio. Acredito não seja para todos. Sei que não é para todos (prova aqui). Talvez seja procurado por quem mais necessita; talvez seja o ponto de convergência dos ansiosos e/ou obsessivos. Quem sabe?

A mim permitiu-me, em efeito dominó, o seguinte:

  • Reduzir a sensação de necessidade
  • Entender o trabalho excessivo, motivado pela falsa sensação de escassez, como desnecessário
  • Mais tempo de qualidade
  • Mais clareza mental dentro e fora do trabalho
  • Poupar
  • Reduzir o ruído de uma casa cheia 

Há várias situações ansiogénicas na vida. A mudança de casa pode ser considerada uma delas. Sem dúvida que, na fase actual, o minimalismo iniciado há 1 ano me facilita o processo. (Um armário de sala coube em 2 caixas.)

01
Mar20

Vendi por um abraço.

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Vendi por um abraço.

Mais uma etapa de OLX para me libertar de excessos. A mudança de casa estava já facilitada com a limpeza do ano anterior, mas há sempre mais qualquer coisa que não faz falta.

Depois das combinações difíceis para o encontro que permitiria a venda da mochila em questão, a senhora disse-me que tencionava fazer os caminhos de Santiago com os sobrinhos e que não queria gastar muito dinheiro em material. 

A ideia dos caminhos de Santiago atrai-me tanto quanto me assusta. Admiro quem os faz e saber que seria feito em família foi o quanto bastou para que entregasse a mochila a troco de nada. A troco de nada não. Vendi por um abraço. O mais apertado de há muito; oferecido por uma estranha.

24
Fev20

Mais um aeroporto. Outra espera.

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Mais um aeroporto. Outra espera. 

Um livro e um café entornado sobre ele e ninguém levantou a cabeça da supernova que cada um segura nas mãos. Os olhares perdidos no seu movimento helio(ego)cêntrico. Quando dei por mim a iniciar esse mesmo movimento de fuga, passeando repetidamente pela vida dos outros nas mesmas aplicações, apaguei-as.

Fico com o aborrecimento, com o não saber o que fazer às mãos. Como se a evolução, na oponência do polegar, tivesse permitido à espécie humana sair dos ramos das árvores para a solidão dos smartphones.

16
Fev20

Todas as mulheres que amei.

Recostei-me no lugar habitual. O azul do céu do fim de dia emoldurava o verde das copas das árvores. Da zona do palco conhecido, vazio, chegavam alguns sons repetidos, em jeito de aquecimento.

Trouxeste contigo outra tonalidade de azul - densa; concreta. E essa outra moldura abraçava a pele dos ombros que eu despi lentamente ao som de mil pássaros em vôo.

Há tantos anos atrás a música havia parado. Naquele instante, com a tua chegada, reiniciaste o compasso.

01
Fev20

Acabei a leitura da Apologia de Sócrates.

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Acabei a leitura da Apologia de Sócrates.

Não sei filosofia que me permita uma dissertação. Sei que os argumentos apresentados na própria defesa e, posteriormente, no diálogo com Críton, me deixaram a pensar na aceitação (do que é). Morte incluída. A única certeza que poucos ousam trazer à discussão. 

O ser humano parece apostado na imortalidade. Não fosse o novo vírus, aquele acidente trágico, aquela outra catástrofe natural... não fosse a vida e a vida era eterna.

 

Não sei, Atenienses, que impressão vos causaram os meus acusadores. Pela minha parte, ao ouvi-los, estive quase a esquecer-me de quem sou, a tal ponto eles foram persuasivos. E, no entanto, se assim me posso exprimir, não disseram uma só palavra verdadeira.

29
Jan20

A questão surgiu...

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A questão surgiu durante o episódio “Desire” do The Minimalists Podcast - “Qual a coisa, dos últimos 7 dias, que vais recordar daqui por 10 anos?”.  É uma pergunta cheia de curvas. É ansiogénica. 

De facto, o que tende a ficar é o trauma. Aquele instante em que se ouve, por dentro, o estilhaçar do osso. Em que a lembrança é eternamente recém-nascida.

O tempo cura tudo, bem sei. O problema é quando parte do tempo pára e a eternidade (in)desejada se apresenta vestida de perigo. 

Assim foste tu. Deixaste o relógio partido, a marcar a hora do crime. 

Daqui por 10 anos espero não me lembrar de nada, se isso significar que o meu ponteiro dos segundos voltou, finalmente, a andar.

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