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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

10
Mai20

A mensagem chegou no fim do dia.

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A mensagem chegou no fim do dia. Chegou enquanto eu saía de palco. Fantasia despida à porta. 

Com o volante apertado entre as mãos, chorava a alma... se conseguisse manter a direcção e chegar ao destino.  As luzes da cidade em estrelas de lágrimas através do teu olhar... se conseguisse endireitar o sentido da minha existência.

Cada instante. A tua mão na minha perna enquanto atravessávamos o verde do país que nunca foi o nosso. Quando as músicas eram alegres. 

Cada instante. O aroma. Aquele que teimou em ficar.

A mensagem chegou no fim de um dia e nunca mais voltou a tocar. 

 

No, I'm six gin and tonics down, baby, I can hardly stand...

29
Jan20

A questão surgiu...

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A questão surgiu durante o episódio “Desire” do The Minimalists Podcast - “Qual a coisa, dos últimos 7 dias, que vais recordar daqui por 10 anos?”.  É uma pergunta cheia de curvas. É ansiogénica. 

De facto, o que tende a ficar é o trauma. Aquele instante em que se ouve, por dentro, o estilhaçar do osso. Em que a lembrança é eternamente recém-nascida.

O tempo cura tudo, bem sei. O problema é quando parte do tempo pára e a eternidade (in)desejada se apresenta vestida de perigo. 

Assim foste tu. Deixaste o relógio partido, a marcar a hora do crime. 

Daqui por 10 anos espero não me lembrar de nada, se isso significar que o meu ponteiro dos segundos voltou, finalmente, a andar.

26
Jan20

Ainda sei a que sabia o ar gelado...

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Ainda sei a que sabia o ar gelado na distância encurtada por nós.

A mudança das marés. A tonalidade do céu. O dia feito noite. 

Ainda sei o instante em que ganhaste textura em mim.

Adeus a ti e a mim; a nós e aos outros. A todos os passados que se vislumbram na neblina.

Recordação é a pele que teima em ficar. Lembranças, as cartas rasgadas, perdidas no horizonte do tempo.

11
Out19

Dråpen i Havet

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Uma pizza média. Um gelado pequeno.

Portugal vs Luxemburgo.

Um gato aqui e outro acolá.

Grata, imensamente grata. Mas seria só estranho se o receio não espreitasse por cima do ombro.

A diferença é que conheço os corredores do aeroporto de Lisboa, onde não creio que vá deixar cair lágrimas. A diferença é que não sei o que me espera à chegada àquele outro aeroporto. A diferença é que me sinto em casa em mim mesma e o mundo é só o mundo quando se é livre.

Grata, imensamente grata por cada passo de liberdade.

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