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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

29
Jun20

Todas as mulheres que amei.

A manhã acordou com gritos. O desespero a desenhar os contornos do espaço vazio que ela ocupava. Na dança descoordenada de quem não se conhecia e tentava... e tentava.

Gritar era o que fazíamos melhor. Gritar era o que eu fazia melhor. Havia som. Havia alguma coisa, qualquer coisa a fazer sentir-me viva. No meio da loucura em que ela me deixou, gritar era tudo o que sobrava. Nos sons deixava de ouvir todo o silêncio que ela representava.

10
Mai20

A mensagem chegou no fim do dia.

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A mensagem chegou no fim do dia. Chegou enquanto eu saía de palco. Fantasia despida à porta. 

Com o volante apertado entre as mãos, chorava a alma... se conseguisse manter a direcção e chegar ao destino.  As luzes da cidade em estrelas de lágrimas através do teu olhar... se conseguisse endireitar o sentido da minha existência.

Cada instante. A tua mão na minha perna enquanto atravessávamos o verde do país que nunca foi o nosso. Quando as músicas eram alegres. 

Cada instante. O aroma. Aquele que teimou em ficar.

A mensagem chegou no fim de um dia e nunca mais voltou a tocar. 

 

No, I'm six gin and tonics down, baby, I can hardly stand...

24
Fev20

Mais um aeroporto. Outra espera.

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Mais um aeroporto. Outra espera. 

Um livro e um café entornado sobre ele e ninguém levantou a cabeça da supernova que cada um segura nas mãos. Os olhares perdidos no seu movimento helio(ego)cêntrico. Quando dei por mim a iniciar esse mesmo movimento de fuga, passeando repetidamente pela vida dos outros nas mesmas aplicações, apaguei-as.

Fico com o aborrecimento, com o não saber o que fazer às mãos. Como se a evolução, na oponência do polegar, tivesse permitido à espécie humana sair dos ramos das árvores para a solidão dos smartphones.

14
Jul19

É mais fácil...

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É mais fácil aceitar que x deixou y por 2x. É mais fácil escolher lados. É mais fácil tomar partidos.

Mas ninguém esteve lá. Ninguém esteve lá quando x, durante 4 anos, teve que sair de casa mais cedo para não se cruzar com a empregada doméstica; ninguém esteve lá daquela vez que x teve que se despachar à pressa e sair pelas escadas para não se cruzar com z. Ninguém esteve lá quando y e x decidiram tentar novamente, sabendo que seriam necessárias mudanças. Mudanças que existiram, na fórmula de w, mas que se ficaram por aí. Ninguém esteve lá quando x teve como resposta de y “não me faças escolher...”, guardada nas reticências a certeza de que a escolha não recairia em x. Ninguém lá esteve.

Mesmo quem lá esteve descarta, com um sacudir de ombros, tudo isso como estando de acordo com o eixo do seu tempo. Não creio sequer que tenha compreendido - ainda hoje - a dor profunda, as cicatrizes do passado que esses “nadas” abriram. Nenhum reconhecimento genuíno pela dor provocada.

A fórmula matemática de 2 vidas em 1 relação é bem mais complexa. É mais fácil, portanto, compreender esta simples “verdade”: x deixou y por 2x. E isso faz com que x não queira fazer parte desse conjunto.

Quando b entrou na equação e prometeu, sem cumprir, o que y nunca prometeu, houve um sorriso escarninho de vitória. Sem que se tenha detido, por um instante, na mágoa que esse sorriso provocou. Na conclusão: - Quem quer que encontres, o que quer que te prometam, x, nunca será real ou completo. E isso magoa pela constatação em si e pela ausência de consideração pela dor inerente a essa cruel verdade.

 

I was already missing before the night I left

Just me and my shadow and all of my regrets

25
Jun19

Não sei...

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Não sei o acto físico de desaparecer.

Esperando o suficiente acontecerá a todos. Não é possível evitá-lo, tão somente uma questão de tempo. Hoje. Amanhã.

Poderá ser natural amanhã e, portanto, porquê antecipar? Poderá ser natural dentro de 50 anos e, aí, como sublimar?

Foco na ideia de que tudo passa, até a vontade imensa da escuridão.

Porquê a necessidade de validação externa à existência, se aquela nunca virá e esta é incontornável e independente do resto?

Amanhã. Até lá, ser o melhor possível, no mundo possível, ajudando a humanidade possível.

14
Jun19

Mora mora.

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Mora mora.

Não foi assim, calmamente, aos poucos, que arrasei com duas vidas de uma só vez. Foi tudo de um repente. 

Olhando para trás, não posso dizer que tivesse feito igual. Não posso negar arrependimentos. 

Foi o que senti como necessário. 

Agora necessário era conseguir avançar, também de um repente. 

Passado um ano, mora mora, calmamente, já é tempo demais.

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