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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

21
Jun19

O tempo ou a noção do mesmo.

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O tempo ou a noção do mesmo.

Hoje é o dia mais longo do ano. O mais longo sozinha. Mas, dado tempo suficiente, não há nada que não seja um mero piscar de olhos na eternidade, que o tempo tudo apaga, até quem poderia vir a ter memória  dele.

Não sou de lembranças profundas ou distantes, mas assumo alguma ansiedade perante a ideia deste tempo todo não ser tempo nenhum. A inexorabilidade de todas as mudanças e esquecimentos. De ser tudo normal, tudo banal, tudo mortal. 

E eu onde? E eu quando? Em que função? Para que fim? “What brings no benefit to the hive brings none to the bee”, pode ler-se no livro sexto das meditações. A abelha, porém, não sabe que existe tempo a pensar ou a perder.

Continuo a não acreditar que fingirmo-nos irracionais resolva a ansiedade que a realidade da existência humana pode acarretar para alguns. Partilhando mais talvez fosse menos tempo o tempo do desespero.

 

How swiftly unending time will cover all things, and how much it has covered already! - Marcus Aurelius, Meditations

 

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19
Jun19

Estou hoje fragmentada.

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Estou hoje fragmentada. Dispersa em sentidos vários sem direcção evidente. A submersão iminente no caos fundido como alumínio.

Não sei ao certo nomear as minhas amarras, mas sinto-as próximas, a infiltrarem-se, apagando aos poucos o hoje feito ontem.

Ah, África! O quanto me purgas a alma. Pudesse eu voltar a estar aqui e acolá ao mesmo tempo.

Resta-me a consciencialização de todas estas emoções, tão inúteis quanto passageiras, trazendo-me de volta ao que é, agora.

18
Jun19

Não li uma única linha...

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Não li uma única linha do livro Meditations durante as férias.

Ia preparada para lidar com a minha solidão e enfrentar os meus demónios, mas o que encontrei foram gargalhadas sinceras às refeições e apoio genuíno nos intervalos. 

O mais que mantive diariamente foram as minhas meditações, a eterna lista de gratidão e as reflexões escritas (não as que aqui deixo).

Marco Aurélio ficou de parte até hoje, de regresso à assépsia da (suposta) civilização. E, de repente, fez-me sentido a insistência de Séneca em relação à filosofia; porque, ao ler, senti-me num outro recanto de mim, tranquilo, com sabor a lar.

Uma passagem marcou-me: “Death is a rest from the recalcitrance of sense, and from the impulses that pull us around like a puppet, and from the vagaries of discursive thought, and from our service to the flesh.”

Death is a rest. Death is a rest.

Voltei àquele quarto igualmente asséptico, ao olhar tranquilo do meu pai ao dizer-me “Tu não chores que eu vou só descansar”. E assim foi.

31
Mai19

Depois de analisado...

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Depois de analisado, considero que foi um mês bom.

Consegui manter uma série de hábitos que me trazem tranquilidade:

• Reescrevi o meu ideal e tenho vivido em concordância;

• Inscrevi-me na Dråpen i Havet;

• Mantive o estudo do estoicismo, através de Séneca e Marco Aurélio;

• Registei os meus dias no caderno, juntamente com os motivos de gratidão;

• Escrevi sempre os 3 a 5 parágrafos diários; por vezes mais, tantas vezes sem vontade nenhuma;

• Fiz exercício físico entre 3 a 4 vezes por semana; notei que me custou a semana em que só fui 3 vezes;

• Arrumei a casa toda depois da senda do jogo minimalista;

• Voltei a fotografar e percebi que é uma das coisas que me mantém focada no presente. Hoje brinquei com as minhas cores.

Que o próximo seja parecido ou melhor.

28
Mai19

Como escreveu Álvaro de Campos

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Como escreveu Álvaro de Campos:

“Estou cansado, é claro,

Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. (....)”

Estou hoje cansada. Cansada do mundo ou apenas de mim. 

Em Maio retomei o registo dos meus motivos de gratidão, em conjunto com o início de um diário em papel traçado a caneta.

Estou hoje desencantada. Desencantada com o mundo ou apenas comigo.

É em dias como o de hoje que sinto maior necessidade de procurar activamente os motivos de gratidão na minha vida. É em dias como este que encontro mais do que os três que me propus registar.

Porque, no fim de tudo, há maior infinidade no bom.

 

“You should not be disgusted, or lose heart, or give up if you are not wholly successful in accomplishing every action according to correct principles, but when you are thwarted, return to the struggle, and be well contented if for the most part your actions are worthier of human nature.” - Marcus Aurelius, Meditations.

25
Mai19

Bom dia. Boa noite.

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Bom dia. Boa noite.

Deixo-te à beira da estrada de há anos, onde a criança que foste ficou perdida à procura de família enquanto, à altura dos olhos, todos os pares de pernas de adultos eram iguais.

Boa noite. Espero que o sol amanheça com um sorriso morno em ti.

Eu deixo-te aí. A minha estrada é outra.

Não foi engano.

Não foi destino.

Foi caminho. Para mim. Para casa.

Bom dia. Acordei!

 

I've got a king sized bed and a PhD in the way it used to be.

 

 

24
Mai19

Numa pequena sala...

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Numa pequena sala, que vim a considerar acolhedora, perguntaram-me há anos o que era a bondade. 

A minha resposta foi um silêncio embaraçado.

O que é a bondade?

Na altura julguei que seria dizer “sim” a tudo e a todos, mas quando parti desse pressuposto para a acção, dei-me conta de estar longe de me sentir bondosa. Dizer a tudo e a todos que sim deixou-me exausta, impaciente, intolerante, irritável e irritante... 

Na casa da minha infância, antes das suas paredes reflectirem mais ecos, o meu pai pediu-me que fosse boa profissional e uma profissional boa.

O que é a bondade?

Continuo a lutar com o conceito. Dou-lhe a mão de um lado, levanto-lhe o braço do outro, inspecciono as pregas da roupa que veste e continuo pouco certa.

O que é a bondade?

O mais próximo que consigo é ser mais coerente com os meus valores; é treinar a consciência que me permite aceitar o outro como meu semelhante. Despir-me dos meus juízos e compreender que, ainda que não me faça sentido, alguma coisa o preocupa do outro lado e tentar ouvir; estar verdadeiramente presente no presente.

 

 

The monster in my head is ruthless.

 

 

19
Mai19

Gosto do silêncio.

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Gosto do silêncio. Encontrei-o quando reduzi a vida.

Consigo estar, ler e pensar. Conseguiria ser se a angústia não aparecesse, ao virar da página, para me envolver com o seu abraço. 

A angústia em relação à (ausência) de sentido, de valor. A angústia em relação ao vazio. À morte que me levou a voz e o toque de quem me desenhou a vida.

A finitude da vida deveria ser a sua força motriz. Mas quem serei eu quando não for o que conheço?

Foi simples libertar o corpo dos bens materiais supérfluos. Foi simples encontrar este silêncio. Mas como se liberta a mente, a consciência, a alma, quando o corpo é a mais pesada das âncoras? 

Fecho o livro e fujo para o som da música. 

 

“(...) what it means to die, and that if one considers death in isolation (...), one will no longer consider it to be anything other than a process of nature, and if somebody is frightened of a process of nature, he is no more than a child” - Marcus Aurelius, Meditations

16
Mai19

Por mais que tente...

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Por mais que tente afastar-me das paixões acesas por coisa nenhuma, continuo a ter pouca tolerância para certos queixumes.  É quando tento aceitar que é tão em vão os outros queixarem-se, como eu irritar-me com isso. Torno a focar nos motivos para me sentir grata e aguardo o minuto seguinte de paz... que teima em tardar.

Parece-me tudo inútil; todo um gasto energético desnecessário. Mas hoje não houve técnica nenhuma a devolver-me à tranquilidade.

Talvez precise de descansar. Talvez precise de continuar a tentar. Talvez deva aceitar que dar-me conta das minhas limitações é um (possível) passo na direcção certa.

 

“And so we ought to adopt a lighter view of things, and put up with them in an indulgent spirit; it is more human to laugh at life than to lament over it. Add, too, that he deserves better of the human race also who laughs at it than he who bemoans it; for the one allows it some measure of good hope, while the other foolishly weeps over things that he despairs of seeing corrected.” - Seneca, On Tranquility of Mind

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