Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

04
Mar20

Há várias situações ansiogénicas na vida.

30547D01-1004-4A35-84B6-E55F6B6FAE84.jpeg

 

Há várias situações ansiogénicas na vida. Há ainda mais situações ansiogénicas na vida de quem sofre de ansiedade.

O minimalismo permitiu-me interromper o ciclo da exaustão, da imagem literal de burn out na vela que se apaga por ter esgotado o pavio. Acredito não seja para todos. Sei que não é para todos (prova aqui). Talvez seja procurado por quem mais necessita; talvez seja o ponto de convergência dos ansiosos e/ou obsessivos. Quem sabe?

A mim permitiu-me, em efeito dominó, o seguinte:

  • Reduzir a sensação de necessidade
  • Entender o trabalho excessivo, motivado pela falsa sensação de escassez, como desnecessário
  • Mais tempo de qualidade
  • Mais clareza mental dentro e fora do trabalho
  • Poupar
  • Reduzir o ruído de uma casa cheia 

Há várias situações ansiogénicas na vida. A mudança de casa pode ser considerada uma delas. Sem dúvida que, na fase actual, o minimalismo iniciado há 1 ano me facilita o processo. (Um armário de sala coube em 2 caixas.)

01
Mar20

Vendi por um abraço.

BAE365EA-6158-43C5-95C4-1F588AA527EC.jpeg

 

Vendi por um abraço.

Mais uma etapa de OLX para me libertar de excessos. A mudança de casa estava já facilitada com a limpeza do ano anterior, mas há sempre mais qualquer coisa que não faz falta.

Depois das combinações difíceis para o encontro que permitiria a venda da mochila em questão, a senhora disse-me que tencionava fazer os caminhos de Santiago com os sobrinhos e que não queria gastar muito dinheiro em material. 

A ideia dos caminhos de Santiago atrai-me tanto quanto me assusta. Admiro quem os faz e saber que seria feito em família foi o quanto bastou para que entregasse a mochila a troco de nada. A troco de nada não. Vendi por um abraço. O mais apertado de há muito; oferecido por uma estranha.

24
Fev20

Mais um aeroporto. Outra espera.

E3D9F2B7-7596-4AB3-9A1A-9C624460CD9B.jpeg

 

Mais um aeroporto. Outra espera. 

Um livro e um café entornado sobre ele e ninguém levantou a cabeça da supernova que cada um segura nas mãos. Os olhares perdidos no seu movimento helio(ego)cêntrico. Quando dei por mim a iniciar esse mesmo movimento de fuga, passeando repetidamente pela vida dos outros nas mesmas aplicações, apaguei-as.

Fico com o aborrecimento, com o não saber o que fazer às mãos. Como se a evolução, na oponência do polegar, tivesse permitido à espécie humana sair dos ramos das árvores para a solidão dos smartphones.

16
Fev20

Todas as mulheres que amei.

Recostei-me no lugar habitual. O azul do céu do fim de dia emoldurava o verde das copas das árvores. Da zona do palco conhecido, vazio, chegavam alguns sons repetidos, em jeito de aquecimento.

Trouxeste contigo outra tonalidade de azul - densa; concreta. E essa outra moldura abraçava a pele dos ombros que eu despi lentamente ao som de mil pássaros em vôo.

Há tantos anos atrás a música havia parado. Naquele instante, com a tua chegada, reiniciaste o compasso.

01
Fev20

Acabei a leitura da Apologia de Sócrates.

AAA79A39-833C-4A9B-BCD5-593DF15AD979.jpeg

 

Acabei a leitura da Apologia de Sócrates.

Não sei filosofia que me permita uma dissertação. Sei que os argumentos apresentados na própria defesa e, posteriormente, no diálogo com Críton, me deixaram a pensar na aceitação (do que é). Morte incluída. A única certeza que poucos ousam trazer à discussão. 

O ser humano parece apostado na imortalidade. Não fosse o novo vírus, aquele acidente trágico, aquela outra catástrofe natural... não fosse a vida e a vida era eterna.

 

Não sei, Atenienses, que impressão vos causaram os meus acusadores. Pela minha parte, ao ouvi-los, estive quase a esquecer-me de quem sou, a tal ponto eles foram persuasivos. E, no entanto, se assim me posso exprimir, não disseram uma só palavra verdadeira.

29
Jan20

A questão surgiu...

12AA7747-204C-4D5D-8609-9F554C956470.jpeg

 

A questão surgiu durante o episódio “Desire” do The Minimalists Podcast - “Qual a coisa, dos últimos 7 dias, que vais recordar daqui por 10 anos?”.  É uma pergunta cheia de curvas. É ansiogénica. 

De facto, o que tende a ficar é o trauma. Aquele instante em que se ouve, por dentro, o estilhaçar do osso. Em que a lembrança é eternamente recém-nascida.

O tempo cura tudo, bem sei. O problema é quando parte do tempo pára e a eternidade (in)desejada se apresenta vestida de perigo. 

Assim foste tu. Deixaste o relógio partido, a marcar a hora do crime. 

Daqui por 10 anos espero não me lembrar de nada, se isso significar que o meu ponteiro dos segundos voltou, finalmente, a andar.

12
Jan20

Todas as mulheres que amei.

Sob o olhar sobranceiro de quem dirigia a turma trocavam-se bilhetes e borrachas, lápis ou afias, comentários ou risos transformados em sorrisos pelo silêncio imposto.

Da escadaria que parecia terminar à porta do primeiro andar da eternidade, o branco etéreo filtrado pela sua clarabóia inatingível, saíam patamares a cada lado. Era aí que esperávamos. Eram esses minutos, esse encontro, que faziam da escola o sítio onde queríamos estar. Até porque nenhum de nós precisava, de facto, de lá estar. Era a escola depois da escola. Era a magia dos arco-íris depois das paredes monocromáticas das manhãs repetidas.

Saindo de umas aulas a caminho de outras.  Fugindo para salas com contrabaixos onde fingíamos ser músicos de jazz no meio da formação clássica. Escapávamo-nos para as salas de percussão onde aparentemente o ruído era permitido, desde que respeitados os silêncios entre ritmos. Trocávamos instrumentos, arranhávamos violinos e soprávamos em trompetes, com aquele que sabia o truque catalisador da sonoridade a aquiescer que “até nem estava mal”.

Foi nesses primórdios de vida e possibilidade, depois da sinfonia do modem a ligar-se à linha telefónica, que o teu correio chegou, à velocidade medida em KB. Chegou com o estrondo de uma bomba a cair no meio de outro local de impacto. 

Uma mulher. No meio de outra mulher. Com outra que não era mais que uma miúda. A gerir coisa nenhuma. Uma declaração de amor, em código binário, que viria a alterar para sempre a vida vivida naquela escola. Foi o instante em que a música parou.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D