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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

04
Jan20

Hoje é um dia que o meu pai não viu.

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Hoje é um dia que o meu pai não viu. Não viu este dia nos últimos 13 anos. Vou assinalando mentalmente os anos que ficaram por fazer, as vidas que ficaram por viver.

Hoje, no dia que seria de festa, a festa aconteceu. Na possibilidade, na mudança. 

Hoje perguntaram-me quantas pessoas morreram às minhas mãos. Creio que, às minhas mãos literalmente, apenas uma. O pai que sobrou do pai quando o pai desapareceu. O meu avô. 

Nada é o que era como quando todos estavam vivos e se festejavam aniversários. Mas a vida acontece e, no processo, está a felicidade. Não mais à frente, no talvez imaginado; não lá atrás, numa remota lembrança do que não é mais. A felicidade acontece agora, quando conseguimos a gratidão daquilo que nos é oferecido, ainda que nem sempre pedido ou desejado.

 

 

25
Dez19

Todas as mulheres que amei.

Numa viagem de combóio ao encontro da noite, recordo o aroma envolvido no delicioso enrolar da tua pronúncia com um oceano no meio. O aroma, sempre esse. Tantos anos depois continuo a saber qual me atiraria de volta à carruagem que me devolveu a uma vida sem ti.

Sei a diferença horária à distância do vórtex temporal que nos engoliu. Nas harmonias silenciadas pelos anos seguintes, encontro os passos perdidos no labirinto de ser deixada apaixonada, àquela altura da vida, quando o futuro parecia não ter existência; quando nada era palpável a não ser o perfume deixado atrás e a dor sentida no instante.

E onde foram as outras noites e dias que terão existido? Não guardo, não escondo, não sei.

Agradeço-te a persistência. O regresso, intemporal, para me relembrares que amar é possível, no meio da dor, no meio da perda, no meio de falha após falha após outra.

15
Dez19

Num dia de acaso...

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Num dia de acaso vi-te descer a rua em passo decidido. 

Com a armadura virada do avesso o toque aveludado prometia doçura.

Nesse dia de acaso cruzaram-se as linhas da nossa existência. 

Entre sorrisos e lágrimas, mantém-se a promessa... longe do olhar que te viu chegar.

13
Out19

Amanhã.

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Amanhã.

Sinto o caminho a desviar-se daquele que conheço, em direcção a pessoas sentadas no chão, com cartões escritos a agradecer sorrisos de estranhos. E se assim for? Ficarias tu? Ficaria eu?

Poderia ser qualquer um de nós... e, para já, só me sinto perdida. Continuo a querer o teu sorriso familiar em mim.

11
Out19

Dråpen i Havet

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Uma pizza média. Um gelado pequeno.

Portugal vs Luxemburgo.

Um gato aqui e outro acolá.

Grata, imensamente grata. Mas seria só estranho se o receio não espreitasse por cima do ombro.

A diferença é que conheço os corredores do aeroporto de Lisboa, onde não creio que vá deixar cair lágrimas. A diferença é que não sei o que me espera à chegada àquele outro aeroporto. A diferença é que me sinto em casa em mim mesma e o mundo é só o mundo quando se é livre.

Grata, imensamente grata por cada passo de liberdade.

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