Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

22
Out19

Que idade teria?

A584DDBA-09DA-485C-8106-0BA09A09758E.jpeg

 

Que idade teria? Mais novo. Mulher. Duas filhas.

A ameaça. As cicatrizes. A fuga. Dias e noites a pé. Noites e dias de corpos amontoados num carro. As 12 tentativas do barco que, por fim, foi resgatado ao largo de uma das ilhas.

A expressão impassível como se só uma história; não a dele.

Não há espaço a vergonha ou a culpa por parte de quem ouve. Só deixarmo-nos de merdas e vivermos o melhor que soubermos a nossa liberdade gratuita.

13
Out19

Amanhã.

506977D9-C963-4C09-81B7-F600A4B1ECD7.jpeg

 

Amanhã.

Sinto o caminho a desviar-se daquele que conheço, em direcção a pessoas sentadas no chão, com cartões escritos a agradecer sorrisos de estranhos. E se assim for? Ficarias tu? Ficaria eu?

Poderia ser qualquer um de nós... e, para já, só me sinto perdida. Continuo a querer o teu sorriso familiar em mim.

11
Out19

Dråpen i Havet

Captura de ecrã 2019-10-11, às 20.22.09.png

 

Uma pizza média. Um gelado pequeno.

Portugal vs Luxemburgo.

Um gato aqui e outro acolá.

Grata, imensamente grata. Mas seria só estranho se o receio não espreitasse por cima do ombro.

A diferença é que conheço os corredores do aeroporto de Lisboa, onde não creio que vá deixar cair lágrimas. A diferença é que não sei o que me espera à chegada àquele outro aeroporto. A diferença é que me sinto em casa em mim mesma e o mundo é só o mundo quando se é livre.

Grata, imensamente grata por cada passo de liberdade.

17
Jul19

Houve uma época...

F01ACDC9-3DAC-492F-8FE9-9CABBC06242D.jpeg

 

Houve uma época em que via televisão.

A essa época seguiu-se uma morte. Não o instante, que esse é rápido, mas o processo de morrer nem sempre é brusco. Um dia aqui; um dia não. 

Nesse processo deixei de ver o telejornal. Parecia-me sinistro, ainda que extraordinário, que num planeta tão grande só conseguissem noticiar catástrofe, tristeza, miséria. Hoje, as notícias que leio são as que escolho ler. Não sou invadida à hora do jantar pela angústia de tudo o que não posso mudar no mundo.

Em determinada altura vi programas que não tinham outro intuito senão o de me manter num estado de estupor, passando o tempo sem analisar a vida. Numa dessas tardes terei ouvido a Oprah Winfrey falar num “diário da gratidão”.

Desde essa altura que o faço, falhando o registo num ou noutro dia, mas não o hábito porque esse foi adquirido e tornou-se parte de mim. Consigo sempre encontrar três coisas pelas quais estar agradecida. Mesmo nos dias em que não sei se o que me molha a cara é a água do duche, da chuva ou as lágrimas. Mesmo nas noites de insónia, quando sei que são as lágrimas o que tenta forçar caminho contra as pálpebras teimosamente cerradas.

A presente época é de mudança de hábitos, porque a definição de loucura é repetir a mesma coisa variadíssimas vezes esperando um resultado diferente.

Ver menos televisão foi uma das mudanças. Com mais séries à disposição que horas num dia, optei pela leitura. Pela meditação. E foi assim que hoje relembrei a Oprah Winfrey, do outro lado do mundo, a iniciar-me no diário da gratidão.

 

Let not your mind run on what you lack as much as on what you have already - Marcus Aurelius

 

 

12
Jul19

Que nunca me esqueça...

4FE0586D-1039-48CC-92CA-E7B68FB81E14.jpeg

 

Que nunca me esqueça do grande auditório numa manhã de verão com cara de outono. 

A patética na estante do piano, professor e aluna discutindo a divisão do tempo, as articulações das frases, quando entra uma cara de outros tempos, de violino na mão, a surpresa pelo auditório com gente.

As hesitações e o silêncio entre as partes, interrompidos por:

- Preciso de um lá!

- Um lá!, respondi tocando... E assim soou; e assim seguiu, violino na mão com a corda afinada. 

Possa a vida ter sempre a leveza de uma nota.

05
Jul19

É chegada a altura...

D30FC091-D916-40CE-B319-442D21E0B591.jpeg

 

É chegada a altura de voltar a Beethoven.

Escolhi a Patética. Irónico.

Ainda assim opto por acreditar que move, apenas. Nem dó, nem piedade, nem ridículo. (Co)move.

Foi o primeiro transdutor das minhas emoções. O que quer que martelasse de Beethoven saía em harmonia, em beleza, em leveza, em menos dor. Uma espécie de meditação em si mesma.

17
Jun19

Lisboa.

B3045910-8B32-45A3-952A-5A54472A8985.jpeg

 

Lisboa.

Os mesmos corredores onde, há precisamente duas semanas atrás, os meus pés rodopiavam em torno de um mar de lágrimas.

Hoje revi aquele fantasma que fui eu e pareceu-me tão distante; tão irreal, perante tudo o que aconteceu neste (aparente) curto intervalo de tempo. Onde os estímulos foram reduzidos a caminhadas, à procura de animais no meio da selva, a passeios por povoados paupérrimos, a conversas à mesa com desconhecidos que se tornaram próximos...

Sinto agora, mais que nunca, necessidade de retomar os hábitos que me permitem alguma calma:

• Meditação matinal

• Reflexão escrita matinal sobre o essencial desse dia

• Período de leitura - filosofia

• Exercício físico

• Piano

• Reflexão escrita nocturna 

• Meditação nocturna

• Leitura 

• 8h de sono

Tendo em conta que, apesar de tudo o que não existia, não lhes faltava comida nem tribo... quem estará melhor? Quem tem como estímulo uma bola de futebol feita de trapos, aquela maravilhosa luz do céu nocturno, a comida vinda da terra, ou nós, cá deste lado, que temos tudo? Tudo num ecrã; incrivelmente conectados, mas tão profundamente sós.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D