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com a cabeça entre as orelhas

no caminho do minimalismo, procurando a essência.

no caminho do minimalismo, procurando a essência.

com a cabeça entre as orelhas

27
Jun19

Estou aqui.

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Estou aqui. Entre músicas. Entre compassos. Entre pausas.

Entre mim e eu. Entre tu e ela. Entre ontem e hoje.

Entre tudo o que não sei o que será e tudo o que sei que dói.

Entre tudo o que te magoei e tudo o me magoaram depois.

Entre o perfeito equilíbrio do universo numa pessoa em um ponto no espaço e no tempo.

Entre os copos que não bebo na bebedeira sóbria da vida.

Estou aqui.

 

That my feet don’t dance like they did with you.

25
Jun19

Não sei...

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Não sei o acto físico de desaparecer.

Esperando o suficiente acontecerá a todos. Não é possível evitá-lo, tão somente uma questão de tempo. Hoje. Amanhã.

Poderá ser natural amanhã e, portanto, porquê antecipar? Poderá ser natural dentro de 50 anos e, aí, como sublimar?

Foco na ideia de que tudo passa, até a vontade imensa da escuridão.

Porquê a necessidade de validação externa à existência, se aquela nunca virá e esta é incontornável e independente do resto?

Amanhã. Até lá, ser o melhor possível, no mundo possível, ajudando a humanidade possível.

11
Jun19

A tranquilidade da superfície...

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A tranquilidade da superfície oculta a dificuldade da caminhada até aqui. Essa sabemo-la nós, que cá chegámos. Quem esteve ao lado e incentivou uma subida após outra; outra descida e mais uma. Num desfiladeiro que esconde dentro de si uma biodiversidade inimaginável. 

No repouso transitório da hora de almoço esqueço-me por instantes das dores que me impedem os passos. É quando me levanto que as torno a sentir com a mesma intensidade. 

É assim que me dóis quando penso em ti e me dou conta que não o fazia há horas.

10
Jun19

Acabei o livro.

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Acabei o livro (Enigma Variations). Deve estar muito bem escrito porque senti toda a angústia. Aquela que já é minha também. Não foi fácil de digerir, ainda que o fim tenha sido um pouco anti-climático.

Satisfaz-me, contudo, ter percebido o instante a partir do qual nada, nunca mais, seria igual. 

De costas para a cidade, olhar perdido nas águas do Tejo, sabendo que aquele instante seria o último de paz, sabendo que o segundo imediatamente a seguir a levantar-me do banco deixava sentada a alma e arrastava o corpo por uma cidade vazia. 

Será isso o vinho da vida? A consciência exacta de cada instante pelo instante que é? Tenho tantas saudades daqueles minutos, ainda sentada. Antes de tudo.

07
Jun19

Acordei com a sensação...

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Acordei com a sensação de ter vestido um sonho que não me lembro de ter sonhado. Não o consegui largar ao longo do dia.

Como roupa molhada, colada à pele, a tolher os movimentos na humidade absorvida sem a sensação de frescura.

A mesma frase sentida como tão verdadeira quanto os meus ossos doridos: sou pior que 25 anos de solidão.

Preciso de me despir de ti. De que terei medo? De ser livre?

Na despedida do dia, com o sol a baixar no horizonte, o olhar desta criança devolveu-me à vida.

 

'Cause how it looks right now to me
Is you are scared of the danger

03
Jun19

Chorei a manhã toda...

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Chorei a manhã toda pelos corredores do aeroporto de Lisboa. A voz maternal repetia do outro lado da ligação “Estás livre, livre, livre!”. Não se perdeu em mim a ironia da expressão.

Reparei no olhar atento de uma senhora ao passar por mim; atento no meu inundado de lágrimas. Que história terá imaginado para mim? Certamente menos patética que a real.

Adormeci com Beethoven nos ouvidos e o livro esquecido no colo. Não abri os olhos através da turbulência, mas apenas a tempo de ver a sombra que tinha deixado atrás tornar a aproximar-se de mim... esperando que mais leve.

 

Nem de propósito deparei-me com esta entrada num outro blog.

02
Jun19

Há 20 anos saí do palco...

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Há 20 anos saí do palco depois de falhar, por três vezes, o início de uma peça. Deveria ter sido importante o suficiente para fixar a peça, o compositor, alguma coisa. Tudo o que retive foi a expressão exasperada da minha professora.

Há uma semana seguia eu o caminho da aceitação da tua saída de cena sem terminar a deixa. Como se adivinhasses no ar a tranquilidade do que não podia mudar, voltaste ao palco, mas já ninguém estava a assistir. 

E, novamente, uns dias mais tarde, vieste com as palavras que deixaste calar quando decidiste que o silêncio era a música que se impunha na tua vida e fizeste de mim surda na que não tinha escolhido.

Hoje estou perdida nas Variações (Diabelli) do teu tema, à espera que a certa me escolha. Aproveito os últimos instantes da vida, calma, como ela era até há uma semana atrás. 

28
Mai19

Como escreveu Álvaro de Campos

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Como escreveu Álvaro de Campos:

“Estou cansado, é claro,

Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. (....)”

Estou hoje cansada. Cansada do mundo ou apenas de mim. 

Em Maio retomei o registo dos meus motivos de gratidão, em conjunto com o início de um diário em papel traçado a caneta.

Estou hoje desencantada. Desencantada com o mundo ou apenas comigo.

É em dias como o de hoje que sinto maior necessidade de procurar activamente os motivos de gratidão na minha vida. É em dias como este que encontro mais do que os três que me propus registar.

Porque, no fim de tudo, há maior infinidade no bom.

 

“You should not be disgusted, or lose heart, or give up if you are not wholly successful in accomplishing every action according to correct principles, but when you are thwarted, return to the struggle, and be well contented if for the most part your actions are worthier of human nature.” - Marcus Aurelius, Meditations.

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