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com a cabeça entre as orelhas

no caminho do minimalismo, procurando a essência.

no caminho do minimalismo, procurando a essência.

com a cabeça entre as orelhas

03
Set19

O que os outros fazem de nós...

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O que os outros fazem de nós é um rabisco instantâneo a alimentar um algoritmo aleatório na cabeça alheia. Entre um pestanejar e um bocejo.

Nem sequer vale a pena contrariar a engrenagem. 

Seremos o que julgam que somos e tudo o mais é irrelevante. A verdade torna-se idiossincrática e não está à venda.

01
Ago19

Born Weird.

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“Until you realize that coincidences don’t exist, your life will be filled with them.” - Andrew Kaufman, in Born Weird

Hoje encontrei-me na descida lenta a um dos anéis do inferno que é passear pelo feed do instagram, comparando as vidas curadas de ilustres desconhecidos ao caos abraçado da minha. Na perfeição reluzente dos seus sorrisos pensados ponderava que não poderia ser tudo assim - ou será que pode?

Coincidentemente, tinha à espera a newsletter de Seth Godin na caixa de entrada do mail. Talvez seja possível viver em abundância; é preciso é saber orientar o foco.

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14
Jul19

É mais fácil...

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É mais fácil aceitar que x deixou y por 2x. É mais fácil escolher lados. É mais fácil tomar partidos.

Mas ninguém esteve lá. Ninguém esteve lá quando x, durante 4 anos, teve que sair de casa mais cedo para não se cruzar com a empregada doméstica; ninguém esteve lá daquela vez que x teve que se despachar à pressa e sair pelas escadas para não se cruzar com z. Ninguém esteve lá quando y e x decidiram tentar novamente, sabendo que seriam necessárias mudanças. Mudanças que existiram, na fórmula de w, mas que se ficaram por aí. Ninguém esteve lá quando x teve como resposta de y “não me faças escolher...”, guardada nas reticências a certeza de que a escolha não recairia em x. Ninguém lá esteve.

Mesmo quem lá esteve descarta, com um sacudir de ombros, tudo isso como estando de acordo com o eixo do seu tempo. Não creio sequer que tenha compreendido - ainda hoje - a dor profunda, as cicatrizes do passado que esses “nadas” abriram. Nenhum reconhecimento genuíno pela dor provocada.

A fórmula matemática de 2 vidas em 1 relação é bem mais complexa. É mais fácil, portanto, compreender esta simples “verdade”: x deixou y por 2x. E isso faz com que x não queira fazer parte desse conjunto.

Quando b entrou na equação e prometeu, sem cumprir, o que y nunca prometeu, houve um sorriso escarninho de vitória. Sem que se tenha detido, por um instante, na mágoa que esse sorriso provocou. Na conclusão: - Quem quer que encontres, o que quer que te prometam, x, nunca será real ou completo. E isso magoa pela constatação em si e pela ausência de consideração pela dor inerente a essa cruel verdade.

 

I was already missing before the night I left

Just me and my shadow and all of my regrets

08
Jul19

As noites...

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As noites, acompanhadas pelas minhas inseguranças, transportam a saudade aos dias. Dos traços. De como eram antes da borracha da vida lhes passar por cima.

Mesmo em sonhos conscientes, as patranhas que repito a mim mesma não me afastam do lodo.

A espiral é eterna, descendente, de volta ao princípio.

30
Jun19

Estou cansada de ser diferente.

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Estou cansada de ser diferente.

Reinventei-me quando tive a oportunidade de estagiar fora do país. Tinha um corpo e um nome e podia ser quem quisesse. Não tinha passado. 

Dez anos mais tarde reinventei-me numa viagem em busca de mim. Tinha um corpo e um nome. Mais rugas. Um olhar mais brilhante à custa das lágrimas. Ainda assim quem quisesse; ainda assim sem passado.

Reencontrei-me, no final das duas viagens, com o eu que deixei em casa.

Não sei como reinventar-me neste contexto. Não sei como fugir a todas as suposições que os outros fizeram da máscara que usei. Não sei reiniciar o sistema e, parece-me a mim, que a vida vai avançada. 

Estou cansada de ser diferente, mas está provavelmente na altura de fazer as pazes comigo e abraçar a criança que ficou lá atrás a chorar. Ninguém saberá cuidar dela melhor que o adulto em que se tornou.

 

(Come chocolates, pequena;

Come chocolates!

Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.

Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.

Come, pequena suja, come!

Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!

Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,

Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) - Álvaro de Campos, Tabacaria

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