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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

09
Ago22

O azul que te leva tem a velocidade dos ventos do deserto…

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O azul que te leva tem a velocidade dos ventos do deserto que deixa para trás. 

Despojado. Como se nada, jamais, o tivesse habitado. Grãos de areia caídos entre os dedos, como a vida ao entardecer. 

Árido. Como se ninguém, jamais, tivesse bebido do seu oásis esquecido. 

O azul que te leva tem a força do que teima em resistir. 

Mas nada estremece; nada cala; nada sente. Nunca nada mais perto.

26
Jun21

Foi assim que me despi do pensamento mágico.

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Foi assim que me despi do pensamento mágico. Joelhos junto ao peito, pernas cruzadas, mãos dadas entre si. Aninhei-me o melhor que pude, recortada de encontro ao vazio que deixaste no colchão.

Foi assim, coberta de lágrimas, que esperei a tranquilidade da noite que não chegou.

Foi assim até que o silêncio engoliu as dúvidas e a manhã despertou na certeza da solidão.

20
Mai21

Em redor as cores de outrora...

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Em redor as cores de outrora, quando pegava em pincéis abandonados aos seus restos de tinta. O papel desmaiado no estirador, com os cantos revirados pelo roçagar de antebraços tingidos. 

À frente dos tímidos traços iniciais estendia-se o imaginário. Onde tudo era maior, na dimensão secreta dos adultos, na época das possibilidades.

Aos poucos, as cores de outrora dissolvem-se no redemoinho da aguarrás.

04
Set20

Setembro nasceu com as cores da saudade...

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Setembro nasceu com as cores da saudade, enquanto eu vou aprendendo a existir comigo mesma. A deixar atrás a vida sonhada. 

Ao entrar em casa penduro a ilusão como quem despe o casaco. 

Cá dentro nada. Cá dentro tudo.

Há um cansaço na forma de pensar e uma necessidade por identificar.

Pudesse eu ser diferente de mim.

01
Jul20

Todas as mulheres que amei.

Sabia que era capaz de a transformar. Via todo o potencial através do olhar escondido pelas mechas escorridas de cabelo. Tinha a certeza de tudo o quanto ela podia ser. Estava tão certa do que faltava concretizar que me esqueci de aceitar que nada daquilo existia. Não naquela altura. Não ainda. Talvez nunca.

Continuo sem saber quem amei naquelas tardes. A possibilidade que nunca viria a substanciar-se? A mim por me considerar excepcional a detectar o potencial alheio? 

“Se ela não for infeliz, o que lhe sobra? Tens que aceitar isso.” Um ano e meio depois a simplicidade e o pragmatismo destas palavras esbofetearam-me. Acabara de dar voz ao que eu não quisera ouvir. Nem ver. Ou sentir. Apesar de mo ter sido dito quando nenhum elogio chegou. Foi demonstrado de cada vez em que não esteve presente. Foi até sentido na ausência de amor. Foi claramente sentido todos os dias em que fui usada. A puta das 7 da manhã. 

Teimosa e estupidamente, continuei a tentar penetrar a fortaleza vazia.

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