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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

09
Ago22

O azul que te leva tem a velocidade dos ventos do deserto…

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O azul que te leva tem a velocidade dos ventos do deserto que deixa para trás. 

Despojado. Como se nada, jamais, o tivesse habitado. Grãos de areia caídos entre os dedos, como a vida ao entardecer. 

Árido. Como se ninguém, jamais, tivesse bebido do seu oásis esquecido. 

O azul que te leva tem a força do que teima em resistir. 

Mas nada estremece; nada cala; nada sente. Nunca nada mais perto.

04
Set20

Setembro nasceu com as cores da saudade...

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Setembro nasceu com as cores da saudade, enquanto eu vou aprendendo a existir comigo mesma. A deixar atrás a vida sonhada. 

Ao entrar em casa penduro a ilusão como quem despe o casaco. 

Cá dentro nada. Cá dentro tudo.

Há um cansaço na forma de pensar e uma necessidade por identificar.

Pudesse eu ser diferente de mim.

10
Mai20

A mensagem chegou no fim do dia.

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A mensagem chegou no fim do dia. Chegou enquanto eu saía de palco. Fantasia despida à porta. 

Com o volante apertado entre as mãos, chorava a alma... se conseguisse manter a direcção e chegar ao destino.  As luzes da cidade em estrelas de lágrimas através do teu olhar... se conseguisse endireitar o sentido da minha existência.

Cada instante. A tua mão na minha perna enquanto atravessávamos o verde do país que nunca foi o nosso. Quando as músicas eram alegres. 

Cada instante. O aroma. Aquele que teimou em ficar.

A mensagem chegou no fim de um dia e nunca mais voltou a tocar. 

 

No, I'm six gin and tonics down, baby, I can hardly stand...

26
Jan20

Ainda sei a que sabia o ar gelado...

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Ainda sei a que sabia o ar gelado na distância encurtada por nós.

A mudança das marés. A tonalidade do céu. O dia feito noite. 

Ainda sei o instante em que ganhaste textura em mim.

Adeus a ti e a mim; a nós e aos outros. A todos os passados que se vislumbram na neblina.

Recordação é a pele que teima em ficar. Lembranças, as cartas rasgadas, perdidas no horizonte do tempo.

15
Dez19

Num dia de acaso...

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Num dia de acaso vi-te descer a rua em passo decidido. 

Com a armadura virada do avesso o toque aveludado prometia doçura.

Nesse dia de acaso cruzaram-se as linhas da nossa existência. 

Entre sorrisos e lágrimas, mantém-se a promessa... longe do olhar que te viu chegar.

12
Jun19

Não acho que um instante...

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Não acho que um instante nos possa definir enquanto pessoas. Talvez enquanto pessoa naquele preciso instante. 

Talvez não tenhas sido correcta em tantos desses instantes comigo, mas não acho que nada disso te defina hoje ou amanhã. Como no livro, o passado é um país estrangeiro.

Vi tanta miséria hoje. Que podia ser eu. Que podias ser tu. Somos nós nas nossas circunstâncias. 

Pela primeira vez consigo dar um passo no sentido da libertação.

 

“The past may or may not be a foreign country. It may morph or lie still, but its capital is always Regret (...)” - André Aciman, Enigma Variations

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