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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

22
Jun21

Afinal não era complicado.

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Afinal não era complicado. Nem sequer para um cabeça neurótica, como a minha. Para cada uma destas quantas mais?... e na internet tudo se pode encontrar.

Aceitei que a vida é uma constante em pendências que irão continuar a toldar-me o subconsciente. Partindo desta premissa, opto por despejar as listas e os pensamentos no papel e libertar a preciosa memória RAM do meu frágil hardware. 

Afinal tinha nome e tudo: matriz de Eisenhower. E, como parece mais fácil uma pequena mudança de cada vez, repetida até que se torne um hábito, estou a focar-me apenas no quadrante inferior esquerdo. 

Não é urgente; não é importante. Não faças!

 

What is important is seldom urgent and what is urgent is seldom important - Dwight D. Eisenhower

 

15
Jun21

No tempo do Nokia 3310 tudo parecia menos complicado…

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No tempo do Nokia 3310 tudo parecia menos complicado, os SMS extremamente caros e as chamadas então... A vida ao ritmo da “cobrinha”. Muitas aulas de anatomia foram passadas a analisar a capacidade de extensão daquela linha devoradora de pixéis, até que se comesse si própria e morresse.

A tecnologia sempre me fascinou. A evolução constante em velocidade vertiginosa... até que começou a contribuir para a minha auto-destruição. 

É impossível viver - de forma relaxada, pelo menos - com esta sobrecarga sensorial. O sistema nervoso central do ser humano não foi concebido para tantos alarmes de possíveis crises ao mesmo tempo. 

Na esquina de um tropeço com a rua do desespero, apaguei uma série de apps, retirei outras tantas do ecrã principal, desactivei as notificações de tudo e saí das redes sociais.

Se for urgente telefonem, caso contrário não vou saber que precisam de mim!

11
Abr21

Se há coisa que irrita quem tem necessidade de controlo...

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Se há coisa que irrita quem tem necessidade de controlo é aperceber-se que não controla nada. 

Portanto, arranjei estratégias para garantir que aquilo que faço me permite algum tipo de controlo. 

• Reduzi a tralha que tinha.

• Não compro tralha extra.

• Medito.

• Continuo com o diário da gratidão.

• Vou escrevendo.

... mas esqueci-me de ser minimalista no trabalho. Quando olhei para a agenda na semana passada, não encontrei um dia livre nos próximos tempos. Acabei a comprar outro tipo de tralha, ao preço do meu descanso.

Analisando, parece-me só mais uma tentativa de controlo na imprevisibilidade ansiogénica dos tempos pandémicos. Se estiver ocupada, não penso. 

Virei o minimalismo do avesso e voltei ao início.

Falta-me minimizar a cabeça.

04
Mar20

Há várias situações ansiogénicas na vida.

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Há várias situações ansiogénicas na vida. Há ainda mais situações ansiogénicas na vida de quem sofre de ansiedade.

O minimalismo permitiu-me interromper o ciclo da exaustão, da imagem literal de burn out na vela que se apaga por ter esgotado o pavio. Acredito não seja para todos. Sei que não é para todos (prova aqui). Talvez seja procurado por quem mais necessita; talvez seja o ponto de convergência dos ansiosos e/ou obsessivos. Quem sabe?

A mim permitiu-me, em efeito dominó, o seguinte:

  • Reduzir a sensação de necessidade
  • Entender o trabalho excessivo, motivado pela falsa sensação de escassez, como desnecessário
  • Mais tempo de qualidade
  • Mais clareza mental dentro e fora do trabalho
  • Poupar
  • Reduzir o ruído de uma casa cheia 

Há várias situações ansiogénicas na vida. A mudança de casa pode ser considerada uma delas. Sem dúvida que, na fase actual, o minimalismo iniciado há 1 ano me facilita o processo. (Um armário de sala coube em 2 caixas.)

12
Jul19

Que nunca me esqueça...

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Que nunca me esqueça do grande auditório numa manhã de verão com cara de outono. 

A patética na estante do piano, professor e aluna discutindo a divisão do tempo, as articulações das frases, quando entra uma cara de outros tempos, de violino na mão, a surpresa pelo auditório com gente.

As hesitações e o silêncio entre as partes, interrompidos por:

- Preciso de um lá!

- Um lá!, respondi tocando... E assim soou; e assim seguiu, violino na mão com a corda afinada. 

Possa a vida ter sempre a leveza de uma nota.

09
Jul19

De cada vez que alguém...

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De cada vez que alguém, com ar vencedor, anuncia ter enganado a morte em determinada altura, eu pergunto-me como é possível essa sensação. Não a de ter adiado o inevitável, mas a de invencibilidade. Só me sinto invencível quando decido o que fazer com cada um dos meus instantes, agora. Precisamente por reconhecer, reflectir e aceitar a constante mudança de estados até que o estado seja nenhum. 

Saber que a morte é certa e reflectir sobre o que isso diz da vida é uma capacidade única do ser humano, racional. Ainda assim, tantas vezes se prefere o pacto de silêncio como se, ignorando a paragem final, ela passasse por nós como todas as outras que se vêem pela janela de um combóio que não se detém.

Reconhecer - em consciência - a existência de um fim, ainda que não se saiba quando, dá-nos a capacidade de viver uma vida melhor. Mas basta um olhar em volta e encontram-se objectivos: o que alcançar; como alcançar; quando alcançar. Com a importância de algo capaz de permitir o acesso à vida eterna, uma vez atingido. Raramente se ouvem as perguntas: “porquê?”, “com que sentido?”, “para que fim?”.

Como o rei-filosófo de Platão advoga, nada que seja proveniente de uma natureza universal poderá ser mau na sua essência, mas apenas nos nossos julgamentos sobre aquela. A morte é uma dessas partes do todo. Porque não permitir o diálogo sobre ela? De forma a permitir uma saída de cena digna, sem (com menos?) arrependimentos.

 

07
Jul19

Livre Arbítrio.

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Livre arbítrio. A capacidade que, na essência, nos torna humanos. Temos vindo a abdicar dela porque, a curto prazo, as consequências parecem ser menos difíceis do que aquilo que é inerente à escolha: a responsabilidade. 

Escolher implica uma decisão consciente daquilo pelo qual se opta. Pode correr bem. Pode correr mal. Mas... E se?... Acaba por ser mais fácil assumirmo-nos vítimas das nossas circunstâncias, miseravelmente infelizes nas nossas vidas; culparmos o sistema por tudo aquilo que fazemos sem gostar e por tudo o que gostamos e não fazemos. 

Ainda assim, essa caminhada cega pelo caminho dos outros tem uma escolha nossa, ainda que não consciente: a de abdicarmos da liberdade.

Uns serão mais afortunados que outros. Uns terão mais oportunidades que outros, mais possibilidades de entre as quais escolher. Mas todos temos uma opção. 

Greg McKeown propõe reformular o discurso, passando de um “tenho que” para um “escolho porque”... e o motivo dependerá de cada um de nós, mas só ao identificá-lo é possível discutir alternativas.

Em última instância, a nossa maior responsabilidade é para connosco para que, estando bem, possamos trabalhar no sentido do bem comum. Numa sociedade de valores nem sempre coincidentes com os nossos, abdicar da capacidade de escolha é entregar aos outros a definição da nossa vida. 

 

Tim Ferriss Podcast - Greg McKeown on How to Master Essentialism

 

Tim Ferriss Podcast - Seth Godin on How to Say “No”, Market Like a Professional and Win at Life

 

The world’s worst boss - Seth Godin

That would be you.

Even if you’re not self-employed, your boss is you. You manage your career, your day, your responses. You manage how you sell your services and your education and the way you talk to yourself.

Odds are, you’re doing it poorly.

(...)

19
Jun19

Estou hoje fragmentada.

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Estou hoje fragmentada. Dispersa em sentidos vários sem direcção evidente. A submersão iminente no caos fundido como alumínio.

Não sei ao certo nomear as minhas amarras, mas sinto-as próximas, a infiltrarem-se, apagando aos poucos o hoje feito ontem.

Ah, África! O quanto me purgas a alma. Pudesse eu voltar a estar aqui e acolá ao mesmo tempo.

Resta-me a consciencialização de todas estas emoções, tão inúteis quanto passageiras, trazendo-me de volta ao que é, agora.

24
Mai19

Numa pequena sala...

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Numa pequena sala, que vim a considerar acolhedora, perguntaram-me há anos o que era a bondade. 

A minha resposta foi um silêncio embaraçado.

O que é a bondade?

Na altura julguei que seria dizer “sim” a tudo e a todos, mas quando parti desse pressuposto para a acção, dei-me conta de estar longe de me sentir bondosa. Dizer a tudo e a todos que sim deixou-me exausta, impaciente, intolerante, irritável e irritante... 

Na casa da minha infância, antes das suas paredes reflectirem mais ecos, o meu pai pediu-me que fosse boa profissional e uma profissional boa.

O que é a bondade?

Continuo a lutar com o conceito. Dou-lhe a mão de um lado, levanto-lhe o braço do outro, inspecciono as pregas da roupa que veste e continuo pouco certa.

O que é a bondade?

O mais próximo que consigo é ser mais coerente com os meus valores; é treinar a consciência que me permite aceitar o outro como meu semelhante. Despir-me dos meus juízos e compreender que, ainda que não me faça sentido, alguma coisa o preocupa do outro lado e tentar ouvir; estar verdadeiramente presente no presente.

 

 

The monster in my head is ruthless.

 

 

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