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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

04
Jan20

Hoje é um dia que o meu pai não viu.

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Hoje é um dia que o meu pai não viu. Não viu este dia nos últimos 13 anos. Vou assinalando mentalmente os anos que ficaram por fazer, as vidas que ficaram por viver.

Hoje, no dia que seria de festa, a festa aconteceu. Na possibilidade, na mudança. 

Hoje perguntaram-me quantas pessoas morreram às minhas mãos. Creio que, às minhas mãos literalmente, apenas uma. O pai que sobrou do pai quando o pai desapareceu. O meu avô. 

Nada é o que era como quando todos estavam vivos e se festejavam aniversários. Mas a vida acontece e, no processo, está a felicidade. Não mais à frente, no talvez imaginado; não lá atrás, numa remota lembrança do que não é mais. A felicidade acontece agora, quando conseguimos a gratidão daquilo que nos é oferecido, ainda que nem sempre pedido ou desejado.

 

 

12
Mai19

Felizmente moída.

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Felizmente moída. Calorosamente quebrada.

Apesar de querer guardar em mim o diálogo, o sorriso e as lágrimas, escrever permite fugir dos erros inerentes à memória e ao tempo.

Num outro eu, num outro tu, olhámo-nos pelo retrovisor das nossas almas e percorremos de mãos dadas as alegrias e mágoas que nos fizeram chegar aqui. 

Aqui será sempre um fim de dia com sabor a mar, sob a protecção de um Sol ensonado, descendo no horizonte, na certeza de uma dança desengonçada numa rua vazia.

Sabendo que serei sempre louca aos teus olhos, deixo-te a dica de Aristóteles:

No great intellect has been without a touch of madness.

05
Mai19

Fomos tomar o café de sempre...

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Fomos tomar o café de sempre e eu esqueci-me do dia da mãe. 

Entre pai perdido e mãe encontrada, estou grata que se tenham juntado aqueles dois. A força e o coração da casa com o espírito fantástico e destemido.

E, ainda que tenham feito dois palermas, que bom sermos eu e tu, irmão! 

Que boa escolha a deles e a nossa. Continuemos a olhar o espelho perguntando-nos o que diria ele, sabendo o que diz ela.

04
Mai19

Sob um céu despido de nuvens...

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Sob um céu despido de nuvens, à sombra dos pinheiros que plantámos há uma vida atrás, reencontrei-te. A ti e a nós. 

Pela primeira vez em 12 anos tornei a sentir-te; cinza suave entre os meus dedos. Todo o nada exterior que somos transformado na vida que preencheste.

Percorri o Verão de outrora na imagem do barco parado, ali derrotado, sob a coberta cheia de pó e de lixo. A proa, exposta ao sol, tem a tinta a estalar. 

À distância dos anos a saudade tem a imensidão do mar que velejámos; a imensidão de tudo quanto (de ti) fiquei por conhecer.

22
Abr19

Não sei que idade teria...

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Não sei que idade teria quando me sentei no meio da sala, de pernas cruzadas, olhos fechados e testa franzida em profunda concentração. O meu pai acabara de me confessar que sabia levitar, juntamente com o segredo para o conseguir fazer.

Parecia simples. Bastava que me conseguisse concentrar em cada pequena parte do meu corpo até que o deixasse de sentir. Começava sempre pelo dedo grande de um pé e ia seguindo, acabando por nunca conseguir chegar a uma perna completa...  

Frustrada, acabei por desistir das tentativas de levitação e da minha futura carreira circense.

Umas décadas mais tarde é na meditação que encontro o meu retorno a casa. Por vezes, chego mesmo a sentir que estou para além do meu corpo sentado, de olhos fechados. Nessas alturas sinto que consigo quebrar as correntes do atarefado mundo moderno e levitar em alguma paz.

 

O que também tem ajudado no processo de desconexão (ou conexão ao que interessa):

• Apaguei muitas apps instaladas e sem utilidade prática para além da distracção permanente. 

• Retirei as notificações de praticamente todas as apps que sobreviveram. Apenas tenho notificações para mensagens, chamadas e despertador. Sem a presença constante de apitos e símbolos vermelhos com números a gritarem a quantidade de coisas que estou a deixar passar, tenho tempo para o essencial e não sinto que esteja a perder nada de importante. Raramente me ocorre ver a caixa de entrada do email; a quem o dou, aviso logo que não serve para coisas urgentes porque é visto 2 ou 3 vezes por dia.

• No tempo de ecrã reduzi o limite de tempo de outras apps, nomeadamente a da rede social que sobrou,  para 15 minutos/dia; se quiser ver mais do que isso, tenho que seleccionar outras opções. Com o gesto automático impedido, há tempo para pensar se preciso mesmo de olhar para as fotografias da vida curada de outra pessoa. Por outro lado, quando o faço, é com (alguma) intenção, seja ela a de me distrair ou outra.

• Quando sinto que o impulso de ligar o telefone se mantém, passo o ecrã a preto e branco. É impressionante como deixa de ser apelativo. 

 

13
Abr19

Há 3 dias fotografaram...

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Há 3 dias fotografaram pela primeira vez um buraco negro.  Powehi, de seu nome. 

Gostava de compreender física. Gostava de perceber exactamente o conceito, mas faz-me pensar em ti. Em como engoliste a matéria de que eu era feita; em como consegues concentrar, hoje, passado e futuro. 

Hoje foste para outro continente. Foste para o sítio onde hoje para ti é o meu amanhã e onde eu estou no teu ontem. Figurativa e literalmente, deixaste-me no passado e inventaste futuro, tudo no mesmo presente.

Mas, honestamente, agora não tenho tempo para ti. Vou à minha vida, procurar o buraco branco que julgam existir. Pudesse eu compreender física, mas dizem que ao invés de engolir matéria a expele... e eu preciso dessa luz!

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