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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

15
Jun21

No tempo do Nokia 3310 tudo parecia menos complicado…

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No tempo do Nokia 3310 tudo parecia menos complicado, os SMS extremamente caros e as chamadas então... A vida ao ritmo da “cobrinha”. Muitas aulas de anatomia foram passadas a analisar a capacidade de extensão daquela linha devoradora de pixéis, até que se comesse si própria e morresse.

A tecnologia sempre me fascinou. A evolução constante em velocidade vertiginosa... até que começou a contribuir para a minha auto-destruição. 

É impossível viver - de forma relaxada, pelo menos - com esta sobrecarga sensorial. O sistema nervoso central do ser humano não foi concebido para tantos alarmes de possíveis crises ao mesmo tempo. 

Na esquina de um tropeço com a rua do desespero, apaguei uma série de apps, retirei outras tantas do ecrã principal, desactivei as notificações de tudo e saí das redes sociais.

Se for urgente telefonem, caso contrário não vou saber que precisam de mim!

11
Abr21

Se há coisa que irrita quem tem necessidade de controlo...

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Se há coisa que irrita quem tem necessidade de controlo é aperceber-se que não controla nada. 

Portanto, arranjei estratégias para garantir que aquilo que faço me permite algum tipo de controlo. 

• Reduzi a tralha que tinha.

• Não compro tralha extra.

• Medito.

• Continuo com o diário da gratidão.

• Vou escrevendo.

... mas esqueci-me de ser minimalista no trabalho. Quando olhei para a agenda na semana passada, não encontrei um dia livre nos próximos tempos. Acabei a comprar outro tipo de tralha, ao preço do meu descanso.

Analisando, parece-me só mais uma tentativa de controlo na imprevisibilidade ansiogénica dos tempos pandémicos. Se estiver ocupada, não penso. 

Virei o minimalismo do avesso e voltei ao início.

Falta-me minimizar a cabeça.

04
Mar20

Há várias situações ansiogénicas na vida.

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Há várias situações ansiogénicas na vida. Há ainda mais situações ansiogénicas na vida de quem sofre de ansiedade.

O minimalismo permitiu-me interromper o ciclo da exaustão, da imagem literal de burn out na vela que se apaga por ter esgotado o pavio. Acredito não seja para todos. Sei que não é para todos (prova aqui). Talvez seja procurado por quem mais necessita; talvez seja o ponto de convergência dos ansiosos e/ou obsessivos. Quem sabe?

A mim permitiu-me, em efeito dominó, o seguinte:

  • Reduzir a sensação de necessidade
  • Entender o trabalho excessivo, motivado pela falsa sensação de escassez, como desnecessário
  • Mais tempo de qualidade
  • Mais clareza mental dentro e fora do trabalho
  • Poupar
  • Reduzir o ruído de uma casa cheia 

Há várias situações ansiogénicas na vida. A mudança de casa pode ser considerada uma delas. Sem dúvida que, na fase actual, o minimalismo iniciado há 1 ano me facilita o processo. (Um armário de sala coube em 2 caixas.)

01
Mar20

Vendi por um abraço.

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Vendi por um abraço.

Mais uma etapa de OLX para me libertar de excessos. A mudança de casa estava já facilitada com a limpeza do ano anterior, mas há sempre mais qualquer coisa que não faz falta.

Depois das combinações difíceis para o encontro que permitiria a venda da mochila em questão, a senhora disse-me que tencionava fazer os caminhos de Santiago com os sobrinhos e que não queria gastar muito dinheiro em material. 

A ideia dos caminhos de Santiago atrai-me tanto quanto me assusta. Admiro quem os faz e saber que seria feito em família foi o quanto bastou para que entregasse a mochila a troco de nada. A troco de nada não. Vendi por um abraço. O mais apertado de há muito; oferecido por uma estranha.

12
Jul19

Que nunca me esqueça...

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Que nunca me esqueça do grande auditório numa manhã de verão com cara de outono. 

A patética na estante do piano, professor e aluna discutindo a divisão do tempo, as articulações das frases, quando entra uma cara de outros tempos, de violino na mão, a surpresa pelo auditório com gente.

As hesitações e o silêncio entre as partes, interrompidos por:

- Preciso de um lá!

- Um lá!, respondi tocando... E assim soou; e assim seguiu, violino na mão com a corda afinada. 

Possa a vida ter sempre a leveza de uma nota.

23
Mai19

Persigo há semanas as ideias...

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Persigo há semanas as ideias que julgo pensar sem que consiga, de facto, condensá-las em frases com nexo. Fico sempre aquém. Estou quase a vê-las; quase lhes oiço a harmonia, mas tornam a evadir-se de onde nunca chegaram a ter forma ou cor.

Hoje será confuso, mas hoje terá que servir. 

A primeira vez que me senti em estado de consciência foi na 2ª circular, a caminho de um emprego que odiava, a ouvir a abertura do Sonho de uma Noite de Verão de Mendelssohn. Nas próximas horas estaria provável e certamente a viver contra a minha noção de verdade, mas naquele instante, o crescente das cordas, metais e percussão era tudo. Era aquilo. Naquele instante. Ali. 

A segunda vez que me senti em consciência foi num duche, quando consegui aperceber-me de cada milímetro de pele em que as gotas de água quente tocavam. Era aquilo. Naquele instante. Ali.

E depois a vida meteu-se no caminho e perdi o fio condutor, enquanto tecia com ele considerações sobre nada que pudesse controlar.

Na minha viagem em busca daquele instante em que existir bastava, encontrei filosofia e mindfulness.

A tentativa confusa de síntese:

As minhas emoções são consequência dos meus pensamentos sobre as situações actuais; não são emoções de forma absoluta, ou seja, se isoladas do contexto do julgamento inicial. Alterando este, no centro racional do meu ser, talvez consiga alterar as emoções. Mas será necessário alterá-las? Ou bastará apenas reconhecer-lhes a existência, como ao crescente das cordas, metais e percussão em Mendelssohn ou às gotas de água quente que beijam a pele, e aceitá-las como entidades que surgem e, dado o tempo necessário, desaparecem sem que, em nada, alterem a essência da minha consciência?

O sentido da vida faz-me sentido se for concordante com os meus valores; com a virtude existente em cada ser humano como parte integrante de um universo. A felicidade encontra-se nesses instantes vários, episódicos, de consciência do que é, mais ainda se as acções estiverem em concordância com a nossa virtude. 

O treino desta consciencialização permite reproduzir esses vários instantes, ao longo do tempo, ao longo da vida, de modo a serem cada vez mais frequentes.

Hoje é confuso, mas por hoje serve. E, por favor, não me tragam Descartes para a equação, que essa variável para mim (ainda) é incógnita.

 

“(...) each of us lives only in the present, this fleeting moment of time, and that the rest of one’s life has already been lived or lies in an unknowable future. The space of each person’s existence is thus a little thing (...)” - Marcus Aurelius, Meditations.

 

 

10
Mai19

Comecei o dia...

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Comecei o dia a trocar mensagens, em tempo real, com o músico Joe Brooks. Mal podia acreditar que estivesse acordado, do outro lado do mundo, ao mesmo tempo que eu, quanto mais que estivesse disposto a responder-me.

Subitamente fui transportada no tempo, ao característico e dissonante som de início de ligação dos modems de meia dúzia de kB, ligados a tomadas RITA. Não sei a onomatopeia, mas quem os ouviu não esquece, nem à voz da mãe passado uns minutos a gritar “- Desliga isso que preciso de fazer um telefonema!”. 

Nunca esqueci também uma ida para a escola aos 12 anos (a pé, pasme-se!), ouvindo a minha amiga descrever entusiasmada o que “parece que vai existir”... e o que parecia que ia existir era um Bip que permitia responder às mensagens recebidas. E surgiu, uns anos depois, chamado telemóvel.

A tecnologia evoluiu. A tecnologia é maravilhosa. Uniu-nos de formas que ultrapassam a nossa compreensão, tanto quanto a noção de 100 milhões de euros no jackpot. 

Mas, em determinado ponto, começámos a andar curvados, olhos ao nível do peito, teclando furiosamente qualquer coisa (urgente!) ou vendo um vídeo (urgente!) ou qualquer outra coisa (urgente, certamente!). 

Foi perdida nessa irritação com o chamado phubbing que apaguei a conta do Facebook e retirei todos os seguidores e seguidos da conta do Instagram, para voltar a seguir, com intenção, os que me acrescentavam valor à vida.

Reconciliada com a internet e as redes sociais, percebo que há bom e muito bom no mundo. É preciso procurar. Tal como na vida, o digital devolve os resultados da pesquisa.

 

Nathaniel Drew - Digital Minimalism Playlist

 

 

We're the fire, the flames they can't put out
A faith like oxygen
So breathe it in, be with me now
It's us against the world, it’s us against the world
Try stopping us now
08
Mai19

A esta altura a minha existência...

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A esta altura a minha existência é um fogo cruzado de pensamentos. Talvez precise de horas e dias de reflexão para os encaixar de forma a que façam sentido ou talvez precise de estudar mais. Provavelmente ambas.

Ando perdida na leitura de Séneca... sobre a brevidade da vida; as consolações; sobre a tranquilidade da alma. Leio, releio, sublinho, passo à frente e volto atrás.

Por outro lado, o minimalismo como movimento parece dever muito a esta filosofia do estoicismo, mas ainda não consigo chegar ao aforismo conjunto que, em última instância, me faça encontrar (o) sentido.

O minimalismo, enquanto fase inicial de reduzir “coisas”, dá-nos sem dúvida espaço para pensar o que é essencial. Retira a desarrumação física da equação, para se poder começar a arrumar a cabeça e a vida. E, caramba!, se eu arrumei as coisas. A casa é ampla e o dinheiro estica. O tempo é imenso. Mas sinto que a essência me continua a escapar... 

De Sobre a Brevidade da Vida retirei a leveza de não me sentir louca na necessidade, desde cedo sentida, de ser meu o meu o tempo. Como nos batemos com armas pelo espaço roubado pelo outro, mas como somos cegos ao roubo do nosso bem mais precioso: o tempo. Pior, como somos os primeiros a cedê-lo sem pensar duas vezes. 

Tudo numa correria de casa para trabalho para casa, para subir numa escada corporativa que leva a dinheiro que leva a coisas que leva... a nada. Porque no fim, o precioso tempo acaba para todos e, com esse, não nos preocupámos um segundo. 

 

“The actual time you have (...) inevitably escapes you rapidly; for you do not grasp it or hold it back or try to delay that swiftest of all things, but you let it slip away as though it were something superfluous and replaceable.” - Seneca, On the Shortness of Life

 

“No one will bring back the years; no one will restore you to yourself. (...) You have been preoccupied while life hastens on. Meanwhile death will arrive, and you have no choice in making yourself available for that.” - Seneca, On the Shortness of Life

 

“The greatest obstacle to living is expectancy, which hangs upon tomorrow and loses today.” - Seneca, On the Shortness of Life

 

E, no meio destas leituras, ouvi o episódio do Podcast “Break the Twitch” - Align Money & Happy. No resumo final, feito por Anthony Ongaro, encontrei algum sentido conjunto. 

Dinheiro é uma medida de tempo. Foi tempo gasto (ou perdido?) que se transformou em determinada moeda. Se a gastamos em coisas que não acrescentam valor à nossa existência; se o gastamos no “twitch” da compra com um simples clique... que estamos nós a fazer se não a desperdiçar a vida? Porque esse dinheiro foi tempo, foi vida que ficou por viver.

 

 

01
Mai19

O início de um mês...

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O início de um mês traz consigo a oportunidade perfeita para reflectir sobre o anterior e planear o seguinte.

O meu ano tem estado à margem do ano civil (e até do escolar).

Em menos de um ano deixei amor e deixei trabalho... para acabar deixada; mas a coisa boa quando se começa do zero é que o potencial é infinito. Na realidade, o potencial é sempre o horizonte imensurável e tudo o resto são construções mentais.

Ainda assim, desde Fevereiro que tento adquirir novos hábitos com o objectivo de alcançar alguma clareza mental - talvez precise de revisitar alguns passados, mas para já Maio afigura-se como um mês de introspecção.

A aquisição de uma casa maior, ao reduzir a quantidade de tralha que a mesma tinha, sedimentou a minha crença de que, a partir de certo nível de conforto e segurança, mais objectos não são sinónimo de maior felicidade. 

Quando tecto, água, comida, roupa, segurança e saúde são dados adquiridos, mais um gadget não é mais do que isso mesmo. Um objecto novo e brilhante que após o prazer inicial do kick de dopamina, irá perder rapidamente o seu interesse.

Que vida esta... chegamos aqui, passeamos por ali e morremos acolá. Tem que haver mais... Parece-me que o “mais” está em dar e, sem dúvida, na forma como se dá. Talvez o propósito seja esse. 

Por isso o meu Maio é o mês da reflexão e gratidão:

• Permitir-me parar, 2 vezes por dia, para pensar. Pensar onde estou, para onde quero ir, como crescer como ser humano.

• Diariamente, escrever 3 coisas pelas quais estou grata e que podem ser (aparentemente) tão simples como a electricidade, os transportes, o país onde nasci... e tudo aquilo que nos parece básico, mas apenas porque o consideramos garantido. (Basta relembrar o caos da greve dos transportadores de mercadorias perigosas.)

• Iniciar a pesquisa sobre voluntariado - nacional e internacional.  

O destino é (o) outro.

Amanhã volto a ti.

 

Ideia interessante de generosidade: “doar” o aniversário. 

O que eu escolhi para mim, mas há tantos outros sob a pesquisa “pledge birthday”: 

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TED - Elizabeth Dunn: Helping others makes us happier - but it matters how we do it

 

30
Abr19

Sim, lembro-me perfeitamente...

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Sim, lembro-me perfeitamente do lançamento do primeiro gameboy. Lembro-me de esperar 6 anos até ter o meu - julgo que, actualmente, ninguém espera tanto tempo por nada nem ninguém. Apesar da vontade mantida, lembro-me também de como perdeu parte do encanto algum tempo depois. 

Essa constatação manteve-se ao longo da vida. Estranhamente, cada coisa desejada perdia o encanto ao fim de algum tempo após atingida. Intrigava-me já em miúda; e eu não tinha tudo o que queria, havendo claramente um período de latência grande entre o desejo e a sua eventual concretização.

E assim finalizei o #minsgame: 30 dias, mais de 496 coisas subtraídas à casa. 

De todas, a grande maioria foram dadas. Roupa aos sem abrigo; utensílios de cozinha a quem precisava; os livros lidos e relidos entregues à biblioteca local; consola a miúdos que nunca a teriam tido e cuja mãe mais tarde me disse “Fiquei a vê-los. Não percebo nada daquilo, mas a felicidade deles era tudo.” Ainda vendi 3 coisas no OLX, mas a rapidez com que me queria libertar das coisas não era compatível com processos de regateio e venda. Por outro lado, dar soube sempre melhor.

Fotografei as coisas diariamente; muitas delas não tinham qualquer significado emocional, mas algumas fotografias tiveram como objectivo guardar num caderno as que tinham. Porque, efectivamente, as lembranças estão connosco e não nos objectos.

A subtracção permitiu arrumar a casa; voltar atrás no tempo e endireitar o espaço. Espaço esse que me permitiu ver e usar mais as coisas que ficaram porque, se sobreviveram à subtracção,  foi por terem utilidade ou adicionarem valor à minha existência. 

Por outro lado, o espaço aberto deu-me espaço e tempo para a claridade mental; para parar e reflectir; para não ir atrás da próxima falsa sensação de urgência que qualquer anúncio grita. 

Agora penso e repenso. Não sou minimalista no sentido do Colin Wright cuja mala contém tudo quanto possui, mas sim na intenção. Na escolha ponderada.

E escrevo. Consigo ter uma secretária ampla que me permite a leveza de pensar e escrever, como na altura do lançamento do gameboy.

Por isso escreve, meu amor!, escreve. Pode ser que ao escrever desenhes o mapa do teu regresso.

 

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