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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

04
Jan20

Hoje é um dia que o meu pai não viu.

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Hoje é um dia que o meu pai não viu. Não viu este dia nos últimos 13 anos. Vou assinalando mentalmente os anos que ficaram por fazer, as vidas que ficaram por viver.

Hoje, no dia que seria de festa, a festa aconteceu. Na possibilidade, na mudança. 

Hoje perguntaram-me quantas pessoas morreram às minhas mãos. Creio que, às minhas mãos literalmente, apenas uma. O pai que sobrou do pai quando o pai desapareceu. O meu avô. 

Nada é o que era como quando todos estavam vivos e se festejavam aniversários. Mas a vida acontece e, no processo, está a felicidade. Não mais à frente, no talvez imaginado; não lá atrás, numa remota lembrança do que não é mais. A felicidade acontece agora, quando conseguimos a gratidão daquilo que nos é oferecido, ainda que nem sempre pedido ou desejado.

 

 

18
Jun19

Não li uma única linha...

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Não li uma única linha do livro Meditations durante as férias.

Ia preparada para lidar com a minha solidão e enfrentar os meus demónios, mas o que encontrei foram gargalhadas sinceras às refeições e apoio genuíno nos intervalos. 

O mais que mantive diariamente foram as minhas meditações, a eterna lista de gratidão e as reflexões escritas (não as que aqui deixo).

Marco Aurélio ficou de parte até hoje, de regresso à assépsia da (suposta) civilização. E, de repente, fez-me sentido a insistência de Séneca em relação à filosofia; porque, ao ler, senti-me num outro recanto de mim, tranquilo, com sabor a lar.

Uma passagem marcou-me: “Death is a rest from the recalcitrance of sense, and from the impulses that pull us around like a puppet, and from the vagaries of discursive thought, and from our service to the flesh.”

Death is a rest. Death is a rest.

Voltei àquele quarto igualmente asséptico, ao olhar tranquilo do meu pai ao dizer-me “Tu não chores que eu vou só descansar”. E assim foi.

05
Mai19

Fomos tomar o café de sempre...

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Fomos tomar o café de sempre e eu esqueci-me do dia da mãe. 

Entre pai perdido e mãe encontrada, estou grata que se tenham juntado aqueles dois. A força e o coração da casa com o espírito fantástico e destemido.

E, ainda que tenham feito dois palermas, que bom sermos eu e tu, irmão! 

Que boa escolha a deles e a nossa. Continuemos a olhar o espelho perguntando-nos o que diria ele, sabendo o que diz ela.

04
Mai19

Sob um céu despido de nuvens...

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Sob um céu despido de nuvens, à sombra dos pinheiros que plantámos há uma vida atrás, reencontrei-te. A ti e a nós. 

Pela primeira vez em 12 anos tornei a sentir-te; cinza suave entre os meus dedos. Todo o nada exterior que somos transformado na vida que preencheste.

Percorri o Verão de outrora na imagem do barco parado, ali derrotado, sob a coberta cheia de pó e de lixo. A proa, exposta ao sol, tem a tinta a estalar. 

À distância dos anos a saudade tem a imensidão do mar que velejámos; a imensidão de tudo quanto (de ti) fiquei por conhecer.

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