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com a cabeça entre as orelhas

com a cabeça entre as orelhas

29
Jan20

A questão surgiu...

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A questão surgiu durante o episódio “Desire” do The Minimalists Podcast - “Qual a coisa, dos últimos 7 dias, que vais recordar daqui por 10 anos?”.  É uma pergunta cheia de curvas. É ansiogénica. 

De facto, o que tende a ficar é o trauma. Aquele instante em que se ouve, por dentro, o estilhaçar do osso. Em que a lembrança é eternamente recém-nascida.

O tempo cura tudo, bem sei. O problema é quando parte do tempo pára e a eternidade (in)desejada se apresenta vestida de perigo. 

Assim foste tu. Deixaste o relógio partido, a marcar a hora do crime. 

Daqui por 10 anos espero não me lembrar de nada, se isso significar que o meu ponteiro dos segundos voltou, finalmente, a andar.

23
Mai19

Persigo há semanas as ideias...

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Persigo há semanas as ideias que julgo pensar sem que consiga, de facto, condensá-las em frases com nexo. Fico sempre aquém. Estou quase a vê-las; quase lhes oiço a harmonia, mas tornam a evadir-se de onde nunca chegaram a ter forma ou cor.

Hoje será confuso, mas hoje terá que servir. 

A primeira vez que me senti em estado de consciência foi na 2ª circular, a caminho de um emprego que odiava, a ouvir a abertura do Sonho de uma Noite de Verão de Mendelssohn. Nas próximas horas estaria provável e certamente a viver contra a minha noção de verdade, mas naquele instante, o crescente das cordas, metais e percussão era tudo. Era aquilo. Naquele instante. Ali. 

A segunda vez que me senti em consciência foi num duche, quando consegui aperceber-me de cada milímetro de pele em que as gotas de água quente tocavam. Era aquilo. Naquele instante. Ali.

E depois a vida meteu-se no caminho e perdi o fio condutor, enquanto tecia com ele considerações sobre nada que pudesse controlar.

Na minha viagem em busca daquele instante em que existir bastava, encontrei filosofia e mindfulness.

A tentativa confusa de síntese:

As minhas emoções são consequência dos meus pensamentos sobre as situações actuais; não são emoções de forma absoluta, ou seja, se isoladas do contexto do julgamento inicial. Alterando este, no centro racional do meu ser, talvez consiga alterar as emoções. Mas será necessário alterá-las? Ou bastará apenas reconhecer-lhes a existência, como ao crescente das cordas, metais e percussão em Mendelssohn ou às gotas de água quente que beijam a pele, e aceitá-las como entidades que surgem e, dado o tempo necessário, desaparecem sem que, em nada, alterem a essência da minha consciência?

O sentido da vida faz-me sentido se for concordante com os meus valores; com a virtude existente em cada ser humano como parte integrante de um universo. A felicidade encontra-se nesses instantes vários, episódicos, de consciência do que é, mais ainda se as acções estiverem em concordância com a nossa virtude. 

O treino desta consciencialização permite reproduzir esses vários instantes, ao longo do tempo, ao longo da vida, de modo a serem cada vez mais frequentes.

Hoje é confuso, mas por hoje serve. E, por favor, não me tragam Descartes para a equação, que essa variável para mim (ainda) é incógnita.

 

“(...) each of us lives only in the present, this fleeting moment of time, and that the rest of one’s life has already been lived or lies in an unknowable future. The space of each person’s existence is thus a little thing (...)” - Marcus Aurelius, Meditations.

 

 

01
Mai19

O início de um mês...

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O início de um mês traz consigo a oportunidade perfeita para reflectir sobre o anterior e planear o seguinte.

O meu ano tem estado à margem do ano civil (e até do escolar).

Em menos de um ano deixei amor e deixei trabalho... para acabar deixada; mas a coisa boa quando se começa do zero é que o potencial é infinito. Na realidade, o potencial é sempre o horizonte imensurável e tudo o resto são construções mentais.

Ainda assim, desde Fevereiro que tento adquirir novos hábitos com o objectivo de alcançar alguma clareza mental - talvez precise de revisitar alguns passados, mas para já Maio afigura-se como um mês de introspecção.

A aquisição de uma casa maior, ao reduzir a quantidade de tralha que a mesma tinha, sedimentou a minha crença de que, a partir de certo nível de conforto e segurança, mais objectos não são sinónimo de maior felicidade. 

Quando tecto, água, comida, roupa, segurança e saúde são dados adquiridos, mais um gadget não é mais do que isso mesmo. Um objecto novo e brilhante que após o prazer inicial do kick de dopamina, irá perder rapidamente o seu interesse.

Que vida esta... chegamos aqui, passeamos por ali e morremos acolá. Tem que haver mais... Parece-me que o “mais” está em dar e, sem dúvida, na forma como se dá. Talvez o propósito seja esse. 

Por isso o meu Maio é o mês da reflexão e gratidão:

• Permitir-me parar, 2 vezes por dia, para pensar. Pensar onde estou, para onde quero ir, como crescer como ser humano.

• Diariamente, escrever 3 coisas pelas quais estou grata e que podem ser (aparentemente) tão simples como a electricidade, os transportes, o país onde nasci... e tudo aquilo que nos parece básico, mas apenas porque o consideramos garantido. (Basta relembrar o caos da greve dos transportadores de mercadorias perigosas.)

• Iniciar a pesquisa sobre voluntariado - nacional e internacional.  

O destino é (o) outro.

Amanhã volto a ti.

 

Ideia interessante de generosidade: “doar” o aniversário. 

O que eu escolhi para mim, mas há tantos outros sob a pesquisa “pledge birthday”: 

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TED - Elizabeth Dunn: Helping others makes us happier - but it matters how we do it

 

30
Abr19

Sim, lembro-me perfeitamente...

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Sim, lembro-me perfeitamente do lançamento do primeiro gameboy. Lembro-me de esperar 6 anos até ter o meu - julgo que, actualmente, ninguém espera tanto tempo por nada nem ninguém. Apesar da vontade mantida, lembro-me também de como perdeu parte do encanto algum tempo depois. 

Essa constatação manteve-se ao longo da vida. Estranhamente, cada coisa desejada perdia o encanto ao fim de algum tempo após atingida. Intrigava-me já em miúda; e eu não tinha tudo o que queria, havendo claramente um período de latência grande entre o desejo e a sua eventual concretização.

E assim finalizei o #minsgame: 30 dias, mais de 496 coisas subtraídas à casa. 

De todas, a grande maioria foram dadas. Roupa aos sem abrigo; utensílios de cozinha a quem precisava; os livros lidos e relidos entregues à biblioteca local; consola a miúdos que nunca a teriam tido e cuja mãe mais tarde me disse “Fiquei a vê-los. Não percebo nada daquilo, mas a felicidade deles era tudo.” Ainda vendi 3 coisas no OLX, mas a rapidez com que me queria libertar das coisas não era compatível com processos de regateio e venda. Por outro lado, dar soube sempre melhor.

Fotografei as coisas diariamente; muitas delas não tinham qualquer significado emocional, mas algumas fotografias tiveram como objectivo guardar num caderno as que tinham. Porque, efectivamente, as lembranças estão connosco e não nos objectos.

A subtracção permitiu arrumar a casa; voltar atrás no tempo e endireitar o espaço. Espaço esse que me permitiu ver e usar mais as coisas que ficaram porque, se sobreviveram à subtracção,  foi por terem utilidade ou adicionarem valor à minha existência. 

Por outro lado, o espaço aberto deu-me espaço e tempo para a claridade mental; para parar e reflectir; para não ir atrás da próxima falsa sensação de urgência que qualquer anúncio grita. 

Agora penso e repenso. Não sou minimalista no sentido do Colin Wright cuja mala contém tudo quanto possui, mas sim na intenção. Na escolha ponderada.

E escrevo. Consigo ter uma secretária ampla que me permite a leveza de pensar e escrever, como na altura do lançamento do gameboy.

Por isso escreve, meu amor!, escreve. Pode ser que ao escrever desenhes o mapa do teu regresso.

 

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